Queimem as bruxas

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Na idade média as bruxas eram queimadas por causa da santa inquisição. Basicamente, qualquer magia que não fosse feita em nome de deus levava seus executores a serem condenados a forca ou a fogueira. Outra linha de estudos afirma que na verdade não havia uma perseguição e que o castigo era aplicado “apenas” as bruxarias realizadas por membros da igreja. Seja como for, a palavra que sintetiza a caça as bruxas é INTOLERÂNCIA. É dentro desse contexto que o novo single do Radiohead se insere. O clipe é feito em stop-motion, técnica de animação baseada em filmar quadro a quadro bonequinhos feitos de massa de modelar ou argila e depois montar esses quadros transformando em movimentos no vídeo.

Radiohead-BurntheWitch3

O clipe é inspirado em um programa infantil dos anos 60, muito famoso no reino unido, chamado Trumpton. Pegou a referencia? Pois é. Hoje um dos maiores expoentes, por assim dizer, da intolerância do mundo é o candidato a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump. Um senhor deplorável que fala abertamente em construir um muro na fronteira com o México e proibir a entrada de imigrantes vindos do Oriente Médio nos Estados Unidos. Evidentemente, Trump ainda é apenas um falastrão, mas um falastrão bilionário que em breve pode se tornar uma ameaça em se tornando presidente da, ainda, nação mais influente do mundo. A caça as bruxas também ocorre com os imigrantes sírios ou com os homossexuais na Rússia. Por fim, o que ocorre é que o clipe “fofo” causa em quem assiste um grande mal estar. O clipe faz transparecer, de maneira floreada, que é normal e aceitável a intolerância em um mundo de faz de contas. Em um mundo em que te dizem que tal comportamento é aceitável e os outros devem ser condenados. Tudo isso, enquanto uma melodia tenebrosa guiada pela voz angustiada de Thom Yorke nos diz: “Cruzes vermelhas em portas de madeira/ Se flutuar você queima/Conversas fiadas nas mesas/Abandone toda a razão“.

burnthewitch

O Radiohead volta de seu hiato trazendo o melhor que da banda com texturas de som atípicas, como em KID A e Amnesiac, e letras políticas, como em Hail to the Thief e OK, Computer. Vem mais uma obra prima por aí.

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