Uma piscina em forma de lua

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Quando começa a tocar, de forma orquestrada, a já, a essa altura, familiar Burn the Witch, o Radiohead já nos dá uma ideia da linha em que o álbum irá seguir. É arriscado dizer que algo do Radiohead seguirá uma linha, mas nesse caso pode-se afirmar que sim. Em geral, o disco é muito acústico. Tem muito violão, cello, metais e piano. Evidentemente, os sintetizadores estão ali marcando presença. Assim como as guitarras de Jonny e Ed e o baixo de Colin. O disco soa como um suspiro angustiado de quem precisa se recuperar de um forte baque emocional. Yorke se separou da esposa, Rachel Owen, em 2015, durante o processo de gravação do disco. O tom do álbum parece quase que todo baseado no sentimento de perda, apesar de as letras não serem todas sobre isso.

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Não paro de escutar A Moon Shaped Pool desde seu lançamento no dia 8 de maio de 2016. Não foi um disco difícil de digerir como o The King of Limbs. Ele entrou em meus ouvidos de forma orgânica. Desde Los Hermanos – Sentimental que não ouço uma canção que case tão bem em termos de expressão de sentimentos junto com a letra como Daydreaming. A cada nota dissonante a respiração trava pra em seguida soltar um suspiro, mas sem aquele aparente alívio. Seguida de Decks Dark, uma metáfora que dá o tom da escuridão que é a separação. Escuridão no sentido de incerteza. Não conseguir mais enxergar um futuro de fato. É o fim do mundo, ao menos por uns meses, anunciado pela chegada dos alienigenas que a canção usa como figura de linguagem. Mais a frente, outra dupla que faz você se perder do que está fazendo. Por isso, sugiro parar tudo na audição desse álbum até, se possível, conseguir se acostumar com suas nuances. Em Glass Eyes a melancolia do eu lírico de Yorke está expressa em cada tecla pressionada do piano. A canção é distraidamente suave, mas intensa e visceral. Identikit trás aquele Radiohead que estamos mais acostumados. Ou, um Radiohead mais essencial no que tange a essência da banda. Batidas um pouco de trip hop e Jonny nos brindando com um de seus solos arrebatadores ao final da música. Daqueles que fazem você repetir a música pra ouvir mais uma vez antes da próxima canção. Para fechar essa ode a um coração desesperançoso, há uma releitura de uma música antiga. Uma música de mais de 20 anos, assim como o recem terminado relacionamento do frontman da banda. True Love Waits termina com o som bucólico da saudade. Em uma das letras mais fantásticas de amor que já ouvi. “Eu vou me vestir de sua sobrinha só para lavar seus pés.” Num sinal de humildade e reverencia há um amor verdadeiro. É um final perfeito de quem diz: O relacionamento acabou, mas o amor jamais.

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