Caso @Biel é a síntese da #CulturadoEstupro

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O caso do “cantor” Biel, ocorrendo próximo a um caso de estupro tão comovente e revoltante como o da menina violentada por mais de 30, escancaram a realidade de uma cultura absolutamente machista e muito misógina. Não estou de maneira nenhuma comparando esse moleque com um estuprador. Estou comparando o pensamento dele, se é que ele consegue raciocinar mais que uma ameba, com o que assola a maioria da sociedade: “A culpa é sempre da mulher e o homem é uma vítima que não consegue manter o pintinho dentro da calça“. Isso é algo culturalmente impregnado na sociedade desde o mito cristão em que a mulher, Eva, corrompe o homem, Adão. A postura do pirralho é tão abissal, que com toda a mídia tradicional e internet falando sobre violência contra a mulher, o rapaz parece completamente alienado. E, em tendo a chance de se retratar, depois de ser denunciado com provas cabais de que havia assediado uma repórter, ele veio, por meio de nota no Facebook, justificar que de fato não houve assédio. Foi apenas uma brincadeira. Chamar uma mulher de “gostosinha” e que “quebraria ela ao meio” não é lá o que eu chamo de brincadeira. Muito pelo contrário, é até crime, além de desrespeito. Em seguida, uma outra entrevista do menino veio a público e ele deu a seguinte declaração (pegue um balde e deixe ao lado. Você pode vomitar ao ler):

“O homem, pra pegar mulher, ele precisa de lábia. Ele precisa de talento, né? Mulher, pra pegar homem, é só abrir as pernas, parceiro. É fácil. Então é por isso que homem que pega bastante mulher ele é valorizado, porque é difícil pegar mulher, sabe? Tem que desfrutar de um talento. Mulher, não. Mulher que pega bastante homem é fácil, tipo, ela só é fácil. O cara, não. O cara pode ser fácil, (mas) não vai pegar mulher. Tem que ter talento, sabe? Tem que pegar… Mulher que vale a pena, eu tô falando.  Essa é a diferença”

Esse pensamento imbecil, você sabe, não é um privilégio do energúmeno em questão. É algo cultural! Mulheres que tem comportamento parecido com o de homens são, sem motivo algum, mal vistas. Por que? Porque homens não aceitam mulheres gozando do mesmo privilégio que eles. Qual a diferença de um homem que fica com 5 pessoas em uma noite pra uma mulher que fica com o mesmo tanto de pessoas? Qual a diferença entre uma mulher formada em administração de empresas, com MBA em economia e 10 anos de experiência tem pra um homem com o mesmo curriculum? Nenhuma, não é mesmo? Então, porque no primeiro caso, o homem é admirado e a mulher é denegrida? E, no segundo caso, porque mulheres com o mesmo curriculum e ocupando o mesmo cargo ganham apenas 79% dos salários dos homens? Você concorda que isso é injusto? Então, você concorda que a luta feminista é LEGÍTIMA! Quando se fala em Cultura de Estupro, está se falando em todo esse pano de fundo que permeia o antes e o depois do caso. Antes, quando o agressor acha que tem direito a violentar o corpo da vítima. Depois, porque a sociedade, em geral, tende a encontrar na vítima a culpa por ela ter sido violentada. Como nossas irmãs feministas sempre dizem, a culpa do estupro é de uma pessoa apenas, do estuprador.

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Então, o caso do cantor Biel nos escancarou os dois lados da moeda. Com a menina estuprada procuraram nela a culpa por ter sido violentada. No caso do cantor, tentam amenizar e justificar dizendo que ele é apenas um garoto. Detalhe, esse garoto tem 20 anos. A menina estuprada tinha 16. Por fim, a causa feminista tem que estar sim sempre em pauta. O mundo é um lugar hostil para as mulheres. Nós homens temos que lutar o tempo inteiro contra essa cultura criada por nossos antepassados. Não devemos minimizar o sofrimento. Pois, ele não é nada mínimo. Mulheres são extremamente fortes. Se elas estão reivindicando algo em relação a tratamento é porque, com toda certeza, não é mimimi, é real. É injusto.

Se você quer entender porque a foto de Emma Watson está ilustrando essa postagem, é porque ela é embaixadora da ONU na luta pelos diretos das mulheres. Uma das questões defendidas por Emma é de que homens e meninos devem ser inseridos na luta pelos direitos das mulheres. Só assim estaremos no caminho para uma sociedade igualitária de fato. Eu já contribuo com a ONG HeForShe há algum tempo e convido você a conhecer o trabalho deles através do site e a se unir por essa causa.

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